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São João e São João





Das três maiores festas anuais, o São João é a mais singela e tradicional. O Ano Novo nos trespassa de tristeza, porque sugere a contagem do tempo e amontoa os mortos. Abrimos álbum de retrato e botamos pra chorar. O Carnaval é uma festa perigosa, de extravasar frustrações. O pessoal só falta correr nu pela rua.

O São João é uma festa mais pacata, que relembra nossas tradições mais atávicas, nossas raízes culturais. Lembro-me do São João das ruas sem calçamento. O mundo parecia um terreiro só. As mulheres cruzavam as pernas, enfiavam as saias entre as coxas, para ralar o milho e o coco, enquanto os homens plantavam o machado nos toros de madeira para fazer as fogueiras. À tardinha, a panela virava uma lagoa de caldo amarelo onde fervia o maná das comezainas juninas. A meninada ensaiava o jeito de ser homem e mulher. De chapéu de palha, bigode a carvão e camisa quadriculada, era quando podíamos chegar mais perto das meninas sem levar carão nem experimentar a sensação de pecado.

O coração se alegrava quando sonhávamos com a liberdade de adultos que teríamos um dia. Batia uma gostosíssima impressão de que estávamos bem próximos de fazer o que não podíamos fazer. Os ensaios de quadrilha relembravam a tristeza do último dia. Pois um ano durava uma eternidade, as horas eram calmas, podíamos acompanhar a réstia do sol e contar estrelas. Pamonha, canjica e pé-de-moleque eram tarefas de dona de casa prendada, de quem o marido se gabava. Tudo era simples e barato, ninguém enricava com a festa. A novidade era a radiola portátil, e os conjuntos eram pobres de tecnologia, mas os instrumentos ricos de som e harmonia, manuseados com habilidade e gosto, na execução do repertório da festa do milho. Quando São Pedro se ia, ficava um aroma de saudade na fumaça das derradeiras fogueiras e no espocar dos últimos fogos.



Autoria: Sosígenes Bittencourt
Publicado originalmente no Blog Revista Fragmentos.

Blog Deu o Carai em Vitória

Um mês chamado "Junho"




Junho. Tradicionalmente este mês é conhecido pela festividade junina que transforma e encanta, especialmente, os nordestinos. No qual, esperam o ano todo para se fantasiarem conforme as características matuta, enriquecer a culinária com deliciosas comidas de milho e dançar forró até o suor descer e poeira subir.

No entanto, como nem tudo é festa, o mês de junho, que também é sexto mês do ano, de acordo com a geografia, se caracteriza pela chegada do inverno no hemisfério sul. Para os menos afortunados cognitivamente, o inverno é uma das quatro estações do ano nas zonas temperadas, caracterizando-se pelo frio. Tem início com o solstício de Inverno, que ocorre perto de 21 de junho no hemisfério Sul e de 21 de dezembro no hemisfério Norte, e termina com o equinócio de Primavera, que no hemisfério Sul acontece perto de 23 de setembro e no hemisfério Norte cerca de 21 de março.

Vale lembrar aos que só pensam em forró que, este mês, além do São João, também se caracteriza pela presença da forte incidência de chuvas, ocasionando até dilúvios em diversas cidades da zona da mata sul de Pernambuco, a exemplo de Vitória de Santo Antão. Cidade esta que, como tem uma prefeitura muito preocupada com os transtornos que as chuvas causam, pouco se importa na prevenção de desastres desta categoria. Ou seja, enquanto o povo grita “isso é calypso!”, os bueiros  continuam entupidos, as barreiras continuam desprotegidas e o Rio continua sendo depósito de lixo (culpa também dos moradores), sem sua devida limpeza.

Mas, o que vale são as festas. Afinal, elas fortalecem a economia, atraem turistas, preservam uma tradição de séculos e, sobretudo, enaltecem as campanhas eleitoral de muitos políticos. Menos os de Vitória de Santo Antão.


Blog Deu o Carai em Vitória
Informações complementares: Portal Brasil Escola





São João de Vitória com presença de artistas internacionais




Para você que acredita que o São João deste ano de Vitória de Santo Antão está mais para baixo do que peito de velha e prefere alimentar e fortalecer a economia de outras cidades, saiba que  vai perder diversos shows, com a presença de artistas internacionais, como por exemplo: Calypso, Saia Rodada, Caviar com Rapadura, Magníficos e Geraldinho Lins, Forrozão Chacal, além de artistas de Vitória e região. Os festejos irão de 12 a 30 de junho (ver programação completa no site da Prefeitura)..

Lembrando aos menos afortunados cognitivamente que, as Festas Juninas recebem este nome porque ocorrem no mês de junho; possuem um caráter religioso porque se comemoram alguns santos populares do catolicismo (Antônio-13, João-24 e Pedro e Paulo-29). Entretanto suas origens não se limitam a este ou àquele santo, mas ao caráter festivo do ser humano. Entre outras, o ser humano possui a característica da festividade.
Nesse ambiente a música (forró) também assume características rurais com temática religiosa. Nos tempos coloniais, período em que se formou o folclore junino, o repertório religioso português – para a dimensão religiosa dos festejos juninos – e dos salões franceses – de onde vem a quadrilha – é clássico. Mas o repertório da cultura junina se fez com temas rurais: basta nos lembrarmos de "Capelinha de Melão", que "é de São João"; ou então a suplica apaixonada: "São João, São João, acende a fogueira do meu coração."

Outro símbolo junino é a fogueira – que é feita com madeiras geralmente retiradas de forma irregular da natureza -. Na tradição européia, está associada à lenda de que Santa Isabel teria acendido uma para avisar Nossa Senhora sobre o nascimento de João Batista. Isso também nos leva ao ambiente rural em que, no Brasil a fogueira, além de contribuir o para aumento do nível de dióxido de carbono na atmosfera, aceleramento do aquecimento global e o incentivo ao desmatamento, serve para aquecer a noite junina e iluminar o ambiente em que se festejam os santos e a tradição cristã.


Blog Deu o Carai em Vitória
Informações complementares: Prefeitura Municipal de Vitória e Wikipédia
  

Vitória tem São João? Tem sim senhor!

Capelinha de Melão é de São João / É de Cravo é de Rosa é de Manjericão / São João está dormindo. Não acorda não ! Acordai, acordai, acordai, João ! (*)

Junho é o sexto mês do calendário gregoriano e tem 30 dias. O seu nome é derivado da deusa romana Juno, mulher do deus Júpiter. Em 21 de junho ou próximo a esse dia, o Sol atinge o ponto mais ao norte em sua trajetória pelo céu; é o solstício de junho, começo do verão no Hemisfério Norte e do inverno no Hemisfério Sul.

Contudo, no Nordeste brasileiro os terráqueos estão pouco se lixando para isso. Eles querem saber mesmo é do “forrozim”.  Isso tudo porque esse mês é mercado pelos festejos juninos. São juninos porque ocorrem no mês de junho; possuem um caráter religioso porque se comemoram alguns santos populares do catolicismo (Antônio-13, João-24 e Pedro e Paulo-29). Entretanto suas origens não se limitam a este ou àquele santo, mas ao caráter festivo do ser humano. Entre outras, o ser humano possui a característica da festividade. Aliás, como afirma Nietzsche, uma das coisas que mais caracteriza o ser humano é a capacidade de festejar o sofrimento ou a derrota do outro.

Para os menos afortunados cognitivamente, nesse ambiente a música (forró) também assume características rurais com temática religiosa. Nos tempos coloniais, período em que se formou o folclore junino, o repertório religioso português – para a dimensão religiosa dos festejos juninos – e dos salões franceses – de onde vem a quadrilha – é clássico. Mas o repertório da cultura junina se fez com temas rurais: basta nos lembrarmos de "Capelinha de Melão", que "é de São João"; ou então a suplica apaixonada: "São João, São João, acende a fogueira do meu coração."

Outro símbolo junino é a fogueira – que é feita com madeiras geralmente retiradas de forma irregular da natureza -. Na tradição européia, está associada à lenda de que Santa Isabel teria acendido uma para avisar Nossa Senhora sobre o nascimento de João Batista. Isso também nos leva ao ambiente rural em que, no Brasil a fogueira, além de contribuir o para aumento do nível de dióxido de carbono na atmosfera, aceleramento do aquecimento global e o incentivo ao desmatamento, serve para aquecer a noite junina e iluminar o ambiente em que se festejam os santos e a tradição cristã.

Em Vitória de Santo Antão, Zona da Mata de Pernambuco, as comemorações, assim como na maioria dos municípios nordestinos, são regadas a muito forró, que é conhecido também por arrasta-pé, bate-chinela,  forrobodó, etc. Numa tentativa de resgatar a verdadeira cultura nordestina, a prefeitura de Vitória, resolveu (sabiamente?) não contratar bandas  de forró elétrico para os festejos, também conhecidas como bandas pornofólicas, fazendo, desta forma, o verdadeiro São João pé-de-serra. Tal medida alegrou a maioria da população, pois encontraram subsídios para se evadirem e fortalecer a economia de outros municípios como, Gravatá, Caruaru e Limoeiro, que diferente do município de Osman Lins, oferecem programação para todos os “gostos” musicais. Afinal, como já dizia um sábio filosofo de rua: gosto é que nem ##, cada um tem o seu.


Informações complementares: Web Artigos e Wikipédia
Imagem: Google imagens
(*)Capelinha de melão - Cantigas populares
 

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