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Guia para os que amam a propaganda eleitoral gratuita – cinco passos





1 – Assista aos programas – Se você realmente considera o horário eleitoral algo fundamental, pouco importando a qualidade do que veiculam nele, um direito que se funde com uma obrigação, mantenha a disciplina e não o perca por nada neste mundo. Nada de dar opinião baseado no que ouviu dizer. Para ter autoridade ao cobrar os outros, é preciso ser, antes de tudo, exemplo;

2- Pesquise o passado do candidato – Uma das regras da propaganda política é “contar” a história do candidato, apresentá-lo ao eleitor, enfatizando certas passagens e omitindo outras. Na última campanha presidencial, José Serra era um pobre vendedor de frutas e Dilma Rousseff uma freira de convento. Manipulações para encaixar o sujeito no personagem político fabricdo a partir de pesquisas de opinião. Assim, procure você mesmo saber sobre esses homens e mulheres que pedem o seu voto.

O candidato surgiu como? Onde atuava antes? É criação de terceiros ou é uma liderança legítima e autônoma? Diante de acusações, ele tira tudo a limpo ou tergiversa e se faz de desentendido? Ele dirigiu alguma ONG? Quem eram seus financiadores? (Não se surpreenda se você descobrir multinacionais e bancos sustentando anticapitalistas). O candidato é um governista inveterado ou um oposicionista crônico? (Posturas que mostram mostra oportunismo de um lado e inflexibilidade do outro). Com quem ele andou nos últimos anos? É leal? Em suma, tenha curiosidade e não se contente com apresentações oficiais;

3 – Esteja informado sobre sua cidade – Temas como saúde e educação viram objeto de toda sorte de avaliação. Situação e oposição buscam carregar nas tintas para apresentar quadros negativos ou positivos da cidade, sempre com muita segurança nas afirmações. Lembre: existem números para todos os gostos. Você sabe qual o orçamento da sua cidade? Quais os índices de educação e saúde? Faltam leitos? Faltam médicos? A rede de ensino é cara e não gera resultado? Essas discussões estão sempre presentes no noticiário e acessíveis para quem estiver disposto a encontrá-las. O risco é se decepcionar com um ou outro candidato que parece a sinceridade em pessoa;

4 – Ouça mais e fale menos – Opiniões de terceiros sempre podem nos ajudar a rever algo, a refazer um exame ou a buscar outras óticas de avaliação. Por isso, converse com outras pessoas que acompanham os programas, mas não abdique de seu senso crítico apenas para aderir ao candidato que lhe parecer ser mais popular;

5 – Desconfie sempre – Esta é uma dica antipática para os mais sensíveis e bem intencionados. Entretando, como dizia Nelson Rodrigues (cujo centenário de nascimento é comemorado hoje), não se vencem partidas de futebol e eleições apenas como bons sentimentos.

Na propaganda eleitoral, você verá cenas terríveis e obras maravilhosas. Gente chorando ao som de um violão e outras sorrindo em hospitais. São ambientes controlados, não esqueça. Luz, enquadramento, trilha sonora e sonoplastia. Tudo feito para convencer pela emoção. Fique atento. Desconfie. Lembre-se das informações que você pesquisou e as compara com o que lhe mostram. Boa sorte!



Blog Deu o Carai em Vitória
Texto: Blog Jangadeiro Online

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