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Relembrando a hecatombe da Vitória de Santo Antão (131 anos depois)

"A lembrança do Terror, por mais sangrento que tenho sido, não pode fazer esquecer as hecatombes que foram a Inquisição, as dragonadas, a pavorosa repressão da Comuna de 1871, a qual, somente em Paris, fez mais de 20.000 vítimas, sem que precisemos lembrar as grandes eliminações coletivas da época contemporânea" (*)



Em 1880 os partidos políticos deveriam disputar as eleições. Encontrava-se no poder o partido Liberal que em Pernambuco cindira-se em duas facções, uma liderada pela família Sousa Leão no governo das províncias e outra em oposição coligada com o Partido Conservador.

A cidade da Vitória era um dos mais acirrados redutos oposicionistas e o Governo, temendo sério revés nas urnas, mandou uma tropa com 50 militares da polícia para, às ordens do Dr Nicolau Rodrigues da Cunha Lima, juiz municipal da comarca, atemorizar a oposição. Em 27 de junho, véspera do pleito, sabendo que os oposicionistas iam realizar uma passeata pela cidade, o Dr. Nicolau ocupou a Igreja do Rosário dos Homens Pretos onde se realizaria as eleições, e a praça frontal, pela polícia e por homens armados. Ao entrar o cortejo dos coligados no pátio, alguns dos seus chefes discutiram com o Dr. Nicolau, na calçada da Igreja, desrespeitando as leis do império.


Da discussão se originou a luta armada cuja primeira vítima foi o Barão da Escada, causando dezenas de mortos e feridos, muitos dos quais eram elementos de maior projeção da coligação liberal-conservadora. Daí, ficou marcada na história da cidade a “Hecatombe da Vitória”. As imagens atingidas pela mortandade estão em exposição permanente, no museu do Instituto Histórico e Geográfico da Vitória.
 

Lembrando aos menos afortunados cognitivamente que, hecatombe (do grego antigo ἑκατόμβη, composto de ἑκατόν "cem" e βοῦς "boi") era o sacrifício coletivo de muitas vítimas (não apenas bovinas) na Grécia Antiga. Etimologicamente, tem o significado de "sacrifício de cem bois" como o oferecido a Cónon depois da vitoriosa batalha de Cnido (em 394 a.C.). Por extensão de sentido, hoje o termo é aplicado a grandes catástrofes, com muitas vítimas, como genocídios ou eventos naturais como furacões, enchentes, terremotos, etc.


 
Informações complementares: Portal Vitória Mais e Wikipédia
Imagens: Blog Nossa Vitória de Santo Antão

(*) Citação de  Olivier Blanc, podendo ser encontrada no  livro "França das Revoluções (1789-1799)" organizado por Michel Vovelle, lançado no Brasil pela editora Brasiliense, no texto "Terror", o autor, tratando sobre a Revolução Francesa.

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